NR-6 — O EPI.
É o equipamento mais visível da segurança do trabalho — o capacete, a luva, o óculos. Mas a NR-6 carrega uma lição que muitos invertem: o EPI é a última linha de defesa, não a primeira. Este manual cobre o que é, o Certificado de Aprovação, as obrigações de cada parte e os tipos por região do corpo. Com seletor de EPI, quiz, checklist de conformidade, simulador e glossário.
Este manual resume a NR-6 para estudo, atualizado até maio de 2026 (incluindo a modernização da Portaria MTE 57/2025). Para aplicação real, consulte sempre o texto vigente no site do MTE (gov.br), verifique o CA no sistema CAEPI e conte com profissional habilitado. Não substitui a norma na íntegra nem o curso técnico reconhecido.
A última linha
O que é a NR-6 e o EPI
A NR-6 regula o Equipamento de Proteção Individual (EPI). A norma o define como todo dispositivo de uso individual destinado a proteger o trabalhador de riscos que ameacem sua segurança e saúde. A própria NR-6 traz, no Anexo I, a lista dos equipamentos considerados EPI.
Aplica-se a todas as organizações que precisem proteger seus trabalhadores com EPI, em qualquer setor. É uma das normas mais presentes no dia a dia — e justamente por isso, uma das mais sujeitas a serem usadas de forma equivocada.
Um detalhe que muda tudo: o EPI não faz o perigo desaparecer. A máquina barulhenta continua barulhenta com ou sem protetor auditivo; o EPI apenas reduz o quanto chega ao trabalhador. Por isso ele é uma barreira na pessoa, não na fonte — e isso define seu lugar na hierarquia.
O EPI é o último recurso
Esta é a lição central da NR-6, e ela vem direto da NR-1: o EPI está no último degrau da hierarquia de medidas de prevenção. Só se recorre a ele depois de tentar eliminar o risco, controlá-lo na fonte e usar proteção coletiva.
O EPC (proteção coletiva — enclausuramento, ventilação, guarda-corpo) protege todos de uma vez e vem antes do EPI, que protege um a um.
Distribuir EPI e considerar o risco "resolvido" é o atalho que a NR-1 e a NR-6 combatem. EPI é complemento, não substituto da medida na fonte. Quando o EPI vira a primeira (e única) resposta, a causa do risco permanece — e a proteção depende inteiramente de a pessoa usar o equipamento corretamente, o tempo todo.
O Certificado de Aprovação (CA)
Nenhum EPI pode ser vendido ou usado sem o Certificado de Aprovação (CA) — o documento, emitido pelo órgão nacional competente (MTE), que atesta que o equipamento passou por testes e atende aos requisitos técnicos e de segurança.
A modernização recente da NR-6 reforçou o CA: proibição de compartilhamento de CA entre fabricantes/importadores, certificação por unidade fabril, critérios mais rígidos de teste e a inclusão de novos EPIs (proteção contra nanopartículas, proteção respiratória contra agentes biológicos, capacetes de alta resistência). O objetivo é dar mais rastreabilidade e confiança ao que protege o trabalhador.
Quem faz o quê
Obrigações do empregador
A maior parte das obrigações recai sobre o empregador — coerente com a NR-1, que coloca nele a responsabilidade central pela prevenção.
Trabalhador e fabricante
A NR-6 distribui deveres também ao trabalhador e a quem fabrica ou importa o equipamento.
O empregador fornece, treina e exige; o trabalhador usa e conserva; o fabricante garante a qualidade certificada. Se o trabalhador se recusa a usar o EPI fornecido e exigido, há consequência — mas o ônus de fornecer, treinar e fiscalizar é, antes, do empregador. A falha em qualquer ponto quebra a proteção.
Seleção e tipos de EPI
A seleção do EPI parte do risco identificado no PGR: cada perigo pede o equipamento certo, na região do corpo exposta. Toque numa região para ver exemplos de EPI e o risco que ela protege.
Uma luva de pano contra produto químico, um óculos comum contra impacto, um respirador para poeira usado contra vapor químico — todos dão a sensação de proteção sem proteger de fato. Selecionar o EPI específico para o risco, e treinar seu uso correto, é tão importante quanto fornecê-lo.
Prática interativa
Quiz: a NR-6
Cinco questões sobre o EPI, o CA e as obrigações. Escolha, confira a correção e a explicação, e avance.
Checklist de conformidade com a NR-6
O que garantir para estar em conformidade na gestão de EPI. Marque o que está atendido; o estado fica salvo no navegador.
Simulador: o atalho do EPI
Há um ruído excessivo numa área. A gerência quer só distribuir protetor auditivo e seguir. O que você faz? Cada escolha mostra a consequência — aqui o "acerto" é lembrar que o EPI é o último recurso, não o primeiro.
Glossário
Os termos da NR-6. Digite para filtrar por termo ou por palavra na definição.
Fechamento
Síntese e como estudar a seguir
O fio da NR-6: o EPI protege a pessoa e é o último recurso — depois de eliminar, controlar na fonte e usar proteção coletiva. Sempre com CA válido, fornecido de graça, com uso exigido, treinamento e registro. Complemento da prevenção, nunca o seu substituto.
Resumo de bolso
Dispositivo individual que protege a pessoa do risco — não elimina o risco.
Eliminar > engenharia > EPC > administrativo > EPI.
Certificado de Aprovação obrigatório. Verifique no CAEPI; atenção à validade.
Fornece grátis, exige uso, treina, substitui e registra a entrega.
Usa para a finalidade, conserva, comunica defeito, segue as regras.
EPI certo para o risco e a região do corpo. EPI errado é falsa proteção.
Próximos manuais
Seguindo a lógica da base, os próximos são a NR-5 (CIPA — a comissão interna de prevenção, que apareceu nos riscos psicossociais da NR-1) e a NR-9 (avaliação das exposições a agentes, integrada ao PGR). Navegue pela Referência das NRs.
A NR-6 foi modernizada pela Portaria 57/2025. Para conformidade real, use o texto vigente no MTE (gov.br), verifique cada CA no CAEPI e conte com profissional habilitado. Este manual é guia de estudo, não documento legal.